Conheça os favoritos,os craques e as possíveis surpresas, na visão de Mauro Beting

 

Mês da Copa do Mundo, alguns assuntos passam a ser frequentes no cotidiano de muitos brasileiros. Não se espante se você tiver de discutir, no trabalho, a escalação da seleção brasileira, no almoço de família, qual é o país mais forte do Mundial e, na reunião de amigos, no Clube, quem será o destaque da Copa. Para não fazer feio durante o evento mais importante do Futebol, escalamos o craque do jornalismo esportivo, Mauro Beting, para esclarecer as principais dúvidas sobre a Copa do Mundo da África do Sul.

 

O Brasil sempre entrará em uma Copa do Mundo como favorito?

Com qualquer treinador, em qualquer Mundial, desde 1938. É o custo Brasil. O mundo teme ou treme diante da Seleção. Pena que, por vezes, levamos tão a sério isso que esquecemos que existe o adversário do outro lado. E times de qualidade, no esporte mais imprevisível. E cada vez mais.

 

Você acredita que o Brasil volte com a taça de Campeão?

Até a final, creio. Não por ser brasileiro, mas por trabalhar há 20 anos com futebol e frequentar estádios desde 1973. Mas, com a convocação do Dunga, fica um pouco mais difícil. Ou menos fácil. Até porque há equipes muito fortes na Copa, como Espanha (possível rival em uma final), Inglaterra (provável adversária em uma semifinal) e Holanda (rival de
quartas de final), sem contar a Argentina, com potencial técnico para chegar, apesar do treinador em nada lembrar o gênio que foi Maradona.

 

Como você avalia os primeiros adversários do Brasil?

Como sempre, nada se sabe da Coreia do Norte. Por ser a primeira, fica um pouco mais complicado. A estreia sempre enerva. Depois, fica bem mais difícil. Costa do Marfim é a melhor das africanas. Portugal merece respeito. É o grupo mais difícil.

 

Que time o Brasil deve evitar até a final da competição?

Espanha. Campeã da Europa, tem o melhor elenco, melhor time e futebol mais competitivo. Mas a Argentina tem ótima geração, com um gênio como Messi voando e ótimos jogadores
no auge.

 

Qual o time mais bem estruturado para ganhar o título?

Brasil e Espanha. Gostaria de um Brasil mais ofensivo, mais ousado, mais brasileiro. Mas compreendo e respeito Dunga, mesmo lamentando as ausências de Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Pato – e outros seis nomes. O time que ele armou é consistente e competitivo. Como o espanhol. Eles podem não ter um craque que desequilibre, mas não
têm ponto frágil. E um elenco tão rico quanto o brasileiro. Se não, melhor.

 

Quais países devem surpreender no Mundial?

Não creio em nenhuma grande surpresa, mas algumas grandes seleções, como Alemanha e Itália, decepcionando e abrindo chance para algum time crescer. Mas não passam das quartas de final. No bolão, cravo Brasil x Inglaterra de um lado, Argentina x Espanha na outra semifinal. Tudo equilibradíssimo. Numa Copa deve ser difícil apontar um craque. Mundial é para vitória coletiva, mais que individual.

 

O que você achou da convocação do Dunga?

Compreensível. Coerente. Mas ruim. Pouco brasileira, muito Dunga. Dava para soltar mais o time. Muito mais. Acredito que os 31 treinadores da Copa gostaram da lista brasileira.

 

No seu blog, você escalou 10 jogadores diferentes da lista do Dunga. Você acredita que os outros 13 são capazes de levar o time às finais?

Creio que sim. Como o Brasil de 1994, que mereceu ser tetra, este pode ser hexa. Mas com todas as dificuldades de 1994, quando era possível jogar mais solto, melhor, mais brasileiro.

 

Você acredita que a postura do Dunga, de não se deixar levar pela mídia é a postura mais correta?

O treinador que vai pela cabeça da mídia, da média ou da maioria vai acabar como ela – do lado de fora de campo. Treinador precisa ser turrão. Nem tanto, no caso. Mas, se é para errar, que seja pela cabeça dele. Até porque é a única cortada em caso de derrota.

 

Ganso, Neymar e Ronaldinho podem fazer falta? Em qual momento?

Em todos. Não seriam meus titulares. Mas ficariam fácil entre os meus 23 e de quase todo mundo.

 

Quais jogadores brasileiros deverão surpreender no Mundial e fazer a diferença?

Difícil dizer. O pessoal chega morto das temporadas estafantes. Quem se poupou mais pode fazer a diferença. Mas não vejo muito espaço para grandes zebras, embora, historicamente,
elas sempre apareçam. Por exemplo, Schilacci, em 90. A própria Holanda, de 1974, que não existia 10 dias antes da Copa. Fontaine, artilheiro de 1958, que surgiu em cima da hora...

 

Você acabou de lançar o livo As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos. Como foi fazer a pesquisa?

Maravilhosa. Em pouco menos de três meses, assisti a quase 50 jogos, desde a Hungria de 1954 até a França de 1998. Foi um prazer de ofício estudar a história, a tática e os bastidores. Com a ajuda de dois jornalistas, fizemos várias entrevistas, e o resultado final é para quem gosta de futebol. Para quem debate o jogo na mesa redonda e na mesa de bar, além da cátedra universitária.

 

Quais critérios você usou para escolher as seleções retratadas?

Primeiro, times que eu pude ver, não apenas ler e ouvir. Segundo, apenas seleções de Copas. Preferência para as campeãs. Mas, das sete elencadas, prefiro as que não foram
campeãs – a Holanda de 1974, mais competitiva, e a Hungria de 1954, mais inovadora e encantadora. Grandes não campeãs, como o Brasil de 1982.

 

Mauro Beting, jornalista, 43 anos, 37 de Pinheiros, é comentarista da Rádio e TV Bandeirantes, apresentador do Bandsports e Esporte Interativo, colunista do Lance!, revista Fut!, portal Yahoo!, Cidade do Futebol e blogueiro do Lancenet!



Especial - Estádios da Copa 2010

 

Os palcos para o show de gols. Conheça os estádios da África do Sul que receberão as partidas da Copa 2010.

 

A África do Sul já respira futebol. A menos de um mês do início da Copa do Mundo, os estádios estão prontos à espera dos craques internacionais da bola. Foram construídos, especialmente para esse evento, cinco novos campos e outros cinco passaram por reformas para alcançar os padrões estabelecidos pela FIFA.


As 10 arenas receberão: 64 jogos, 32 seleções, 736 jogadores e cerca de 3,2 milhões de torcedores nas arquibancadas. Outros bilhões estarão acompanhando os jogos pela televisão,
em 200 países. Os números podem impressionar, mas o primeiro país do continente africano a receber a Copa da FIFA se preparou para o momento.

 

Com um investimento estimado em mais de 10 bilhões de reais, apenas com a construção dos estádios, o ssul-africanos desfilam a sensação de dever cumprido. E não é difícil entender. Se depender dos locais que receberão os jogos, a Copa já é um sucesso.


Com instalações modernas e arquitetura que interagem de forma perfeita com as cidades, os novos locais tornaram- se cartões postais e pontos turísticos da África do Sul. O turismo deve
assegurar a sobrevivência financeira de alguns estádios, como Green Point, na Cidade do Cabo, e Moses Mabhida, em Durban. Já as arenas Soccer City e Ellis Park, ambas em Johannesburgo, poderão se transformar em espaços para eventos, receber jogos-exibição e até virar shopping centers.

 

Antes de a bola rolar oficialmente nos gramados africanos, conheça alguns dos monumentos que serão destaque no Mundial da África.

 

CONFIRA FOTOS DE TODOS OS ESTÁDIOS DA COPA 2010:

 

 

SOCCER CITY
Capacidade: 94 mil torcedores
Localidade: Johannesburgo
O estádio mais importante da competição é o Soccer City. A arena receberá o jogo de abertura e a grande final da Copa. O desenho arquitetônico foi inspirado no calabash, o tradicional vaso artesanal africano, que ganha ainda mais destaque com a iluminação noturna. O local já testemunhou importantes episódios da história da África do Sul. Foi lá que Nelson Mandela fez o seu primeiro discurso após sair da prisão, em 1990.

 

ELLIS PARK
Capacidade: 60 mil torcedores
Localidade: Johannesburgo
A jornada rumo ao hexa começa no Ellis Park, com o primeiro jogo da seleção brasileira, no dia 15 de junho, contra a Coreia do Sul. Esse estádio receberá mais 6 jogos, incluindo uma
quarta de final. Construído em 1928, a arena passou por mudanças e a maior novidade foi a construção de mais um setor na arquibancada norte. O Ellis Park ocupa um lugar especial no coração dos torcedores sul-africanos. Foi lá que a seleção nacional de rugbi union (uma modalidade de esporte popular no País) derrotou a Nova Zelândia e conquistou o título mundial, em 1995, logo após o país ter sido autorizado a retornar ao cenário esportivo global.

 

MOSES MABHIDA
Capacidade: 70 mil torcedores
Localidade: Durban
Antes mesmo de a Copa começar, o Moses Mabhida virou a nova atração turística de Durban. A inovação arquitetônica é o maior atrativo da arena que foi projetada para ser multiuso. Além de toda a infraestrutura como restaurantes, lojas, áreas para crianças e uma passarela de pedestres, que ligará o complexo à praia, o espaço tem um arco superior, de 106 metros de altura, que terá um bondinho para os turistas apreciarem a vista panorâmica das praias da cidade. O estádio sediará uma das semifinais da Copa do Mundo.

 

GREEN POINT
Capacidade: 66 mil torcedores
Localidade: Cidade do Cabo
Projetado especialmente para a Copa, o Green Point é o estádio mais bem localizado da competição. Construído às margens do mar, ele fica próximo do Victoria and Alfred Waterfront, reduto de hotéis, restaurantes, lojas e do famoso ponto turístico da cidade Table Mountain, a montanha em forma de mesa. O estádio custou R$ 1,1 bilhão e tem cobertura retrátil, proteção acústica e receberá nove jogos. Se o Brasil confirmar o favoritismo, o Green Point receberá a seleção verde e amarela, no dia 3 de julho, para disputar a semifinal do torneio.

 

Copa 2010 - África do Sul

 

 

Para acompanhar os jogos, o mundo todo estará ligado ao primeiro representante africano a sediar a Copa do Mundo

 

Em junho, começa a 19ª edição da Copa do Mundo FIFA. O maior e mais importante evento de Futebol será realizado, pela primeira vez, no continente africano, pois a África do Sul foi o país escolhido para sediar os jogos. Com essa competição, o país terá a oportunidade de se consolidar como grande polo turístico internacional.


Localizada no extremo sul do continente africano, a África do Sul é cercada por dois oceanos e tem características marcantes, como a extensa área que ocupa (1.223.410 quilômetros quadrados), o fantástico relevo geográfico, fauna e flora surpreendentes, os famosos Big Five (leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte) e, claro, a sua população, de mais de 43 milhões de habitantes, dividida em quatro categorias: africano negro, branco, pardo e indiano ou asiático.

 

 

Esses ingredientes colocaram o país entre os 30 destinos mais escolhidos do turismo mundial. A importância é tanta que o governo sul-africano coloca o setor entre os mais respeitáveis da economia. Em 2006, cerca de 8,4 milhões de pessoas desembarcaram no país para conhecer e apreciar as peculiaridades dessa terra. Com a Copa do Mundo, a expectativa é que esse número aumente em quase 20% e ultrapasse os 10 milhões de turistas.


Atividades e lugares para os turistas não faltam, já que o difícil, na África do Sul, é escolher o melhor roteiro. Conheça alguns dos principais destinos do país e aproveite a paixão do brasileiro, o Futebol, como uma desculpa para conhecer um dos lugares mais fascinantes do mundo.

 

Cidade do Cabo

 

A segunda maior metrópole sul-africana marca o encontro de trilhas, parques e praias famosas, como Clifton e Camps Bay, com o agito cultural dos museus, igrejas e castelos. O ambiente cosmopolita da Cidade do Cabo fica mais forte nos bares, restaurantes, lojas e hotéis de luxo. A parte histórica da colonização é contada espontaneamente por seus bairros, que misturam influências muçulmana, inglesa e holandesa. Um dos principais pontos turísticos é o Table Mountain, uma montanha que tem passeio de bondinho e virou o cartão postal da cidade.


Durban


Banhada pelo Oceano Índico, Durban tem um dos trechos litorâneos mais agradáveis da África do Sul. O bom tempo, que dura o ano todo, torna a cidade sinônimo de turismo e diversão. As praias locais viram um dos pontos preferidos dos surfistas. Mas, o terceiro maior centro urbano do país também oferece entretenimento cultural forte, como os Museus de Arte local e História Natural, o Relógio Da Gama, que marca a descoberta de Natal por Vasco da Gama, em 1497. A grande diversidade que mistura as culturas hindu e zulu é um dos diferenciais de Durban.

 

Johannesburgo

 

A maior cidade do país será o palco de abertura e encerramento da Copa do Mundo. Considerada o coração econômico e centro cultural, a cidade oferece um amplo repertório de atividades culturais que inclui vários museus, complexo de teatros, galerias, restaurante e um centro comercial. Conhecida pela diversidade e qualidade dos restaurantes e clubes noturnos, Johannesburgo virou um lugar ideal para todos os tipos de turista. As lojas de grife, as livrarias e cafés são ponto de encontro de estrangeiros.

 

Kruger Park

 

Um dos lugares mais procurados pelos turistas que irão assistir à Copa do Mundo será o Kruger Park, a maior reserva nacional do país. Afinal, o safári é uma das principais atrações turísticas da África do Sul e esse parque é o mais tradicional. Com dois milhões de hectares, ele abriga a maior diversidade de animais de todo o sul da África. Os conhecidos Big Five (búfalos, elefantes, rinocerontes, leopardos e leões) são o ponto alto do passeio. Uma dica para quem vai encarar a aventura é fazer o safári guiado, para não perder nenhum detalhe.

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